Deus Mitra: o Mitraísmo na Roma Antiga


A adoração ao deus Mitra, divindade iraniana pré-Zoroastriana do sol, justiça, contrato e guerra, e os rituais do Mitraísmo eram muito importantes no Império Romano.

Durante os séculos II e III d.C., essa divindade era homenageada como o patrono da lealdade ao imperador! Porém, após a aceitação do Cristianismo pelo imperador Constantino no início do século IV d.C., o Mitraísmo declinou rapidamente.

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O culto romano ao deus Mitra.

Origem

Na mitologia indo-iraniana antiga, Mitra era o deus da luz, cujo culto se espalhou da Índia no Leste até o extremo oeste da Espanha, Grã-Bretanha e Alemanha. A primeira menção escrita ao deus Mitra data de 1400 a.C. Sua adoração se espalhou pela Pérsia e, após a derrota dos persas por Alexandre, o Grande, por todo o mundo helênico!

Na Pérsia, era o deus do sol nascente, dos contratos e da amizade. Mitra mantinha a mudança ordenada das estações e a vigilância sobre a ordem cósmica, sobrepondo-se ao papel do deus do sol, nos sistemas de crenças persa e romano!

O deus Mitra na Mitologia

Segundo o mito, Mitra nasceu carregando uma tocha e armado com uma faca, ao lado de um riacho sagrado e sob uma árvore sagrada, um filho da própria terra.

Ele logo montou, e mais tarde matou, o touro cósmico vivificante, cujo sangue fertilizava toda a vegetação. A morte do touro por Mitra era um assunto popular da arte helênica e se tornou o protótipo de um ritual de fertilidade de matança de touro no culto mitraico.

Escultura de Mitra, deus romano, matando um touro.
Mitra matando o touro (c. 150 d.C.; Louvre-Lens).

Mitraísmo

O misterioso culto ao deus Mitra apareceu pela primeira vez em Roma no século I d.C. Embora a sede do culto fosse em Roma, ele rapidamente se espalhou pelo Império nos 300 anos seguintes, atraindo predominantemente mercadores, soldados e administradores imperiais. Apenas homens eram permitidos, o que provavelmente era parte da atração para os soldados romanos!

Os romanos não chamavam o culto de mitraísmo. Em vez disso, os escritores da era romana se referiam ao culto com frases como “mistérios mitraicos”. Um mistério romano era um culto ou organização que restringia a adesão àqueles que haviam sido iniciados e eram caracterizados pelo sigilo. Como tal, existem poucos registros escritos que descrevem o culto, mantendo-o realmente um mistério.

Os imperadores romanos Cômodo e Juliano foram iniciados no mitraísmo e, em 307, Diocleciano consagrou um templo no rio Danúbio a Mitra, “Protetor do Império”.

Rituais Romanos ao deus Mitra

Os membros do culto se reuniam em templos subterrâneos nos ‘Mithraeum’, espaços privados, escuros e sem janelas, construídos para reproduzir a cena mitológica de Mitra matando um touro sagrado — a ‘tauroctonia’ — dentro de uma caverna.

Um antigo espaço de culto ao deus Mitra.
Um Mithraeum com um afresco representando a tauroctonia em Cápua, Itália.

A história em que Mitra mata o touro era uma característica definidora do mitraísmo romano e não foi encontrada nas representações originais da divindade no Oriente Médio.

Para entrar no culto era preciso passar por uma série de iniciações. Para os membros, havia um código estrito de 7 tarefas diferentes estabelecidas pelos sacerdotes do Mithraeum que o seguidor tinha que passar se quisesse avançar no culto.

A aprovação nesses testes também dava aos membros do culto a proteção divina de vários outros deuses.

Sol Invicto

O culto às divindades do Sol (como Mitra e o Helios grego) combinado com a influência das religiões orientais levou ao levante no século III d.C. de uma nova adoração da divindade sincrética Sol Invicto (Sol Invencível).

A adoração ao Sol Invicto foi celebrada no final do império (principado) sendo introduzida pelo Imperador Aureliano. Embora o início do culto ao deus Sol Invicto no império tenha sido durante o reinado do imperador Galieno — que ordenou a construção de uma grande estátua do Sol — foi Aureliano quem deu o status de divindade mais importante de Roma, Sol Invicto.

Moeda antiga do imperador Aureliano com o Sol Invicto.

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É importante notar que a nova divindade não governou apenas sobre o mundo humano, mas também sobre o panteão de outros deuses. A partir daquele momento, o imperador se tornou um mensageiro de Deus. Aureliano mandou cunhar as moedas do Sol, e o imperador foi intitulado “deus e senhor do nascimento” (deus et dominus natus), se tornando o representante divino do “Sol Invencível”. Desse modo, qualquer tentativa de derrubar o governante e levantar a mão sobre ele era um sacrilégio!

O culto ao Sol Invictus manteve o imperador Aureliano. Por decreto de 7 de março de 321 D.C., o imperador Constantino, o Grande, introduziu o domingo como o feriado oficial do Sol Invicto.

Sol invicto em moeda de Constantino, o Grande.
Moeda cunhada por volta de 316 d.C. por Constantino, o Grande. No reverso, traz o Sol Invicto. Esse deus era a cunhagem padrão de Constantino antes de ele se converter ao Cristianismo!

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Mitraísmo X Cristianismo

Nos séculos III e IV d.C., o culto ao deus Mitra, realizado e apoiado pelos soldados do Império Romano, era o principal rival da religião recém-desenvolvida: o Cristianismo.

No século IV d.C., os seguidores de Mitra enfrentaram perseguição de cristãos que viam seu culto como uma ameaça. Como resultado, a religião foi suprimida e desapareceu dentro do Império Romano Ocidental no final do século.

Mitra e a origem do natal

Alguns estudiosos acreditam que os seguidores de Mitra o celebravam em 25 de dezembro de cada ano, conectando-o ao solstício de inverno e mudança das estações.

A base para essa crença é que 25 de dezembro também era o dia persa de celebração do Sol, com quem Mitra estava intimamente ligado. No entanto, como se sabe muito pouco sobre o mitraísmo, os estudiosos não podem ter certeza.

Além disso, a celebração ao Sol Invicto também ocorria em 25 de dezembro — foi certificada pela primeira vez em 354 d.C.

A Igreja, no final do século IV d.C., reescreveu a celebração deste dia como Natal. Tudo indica que 25 de dezembro foi escolhido como data para o nascimento de Jesus Cristo para substituir deliberadamente o festival de Roma “O nascimento do sol invencível”. No entanto, essa afirmação é criticada por alguns historiadores.

Achados históricos

Os achados arqueológicos têm sido a principal fonte de conhecimento moderno sobre o mitraísmo. Os locais de encontro e artefatos ilustram como era o culto secreto praticado em todo o Império Romano.

Isso inclui 420 locais, cerca de 1000 inscrições, 700 representações da cena de matança de touros (tauroctonia) e cerca de 400 outros monumentos. No entanto, até mesmo o significado desta riqueza de fontes sobre o misterioso culto continua a ser contestado, mantendo o segredo do deus Mitra milênios depois.

Templo do deus Mitra em Londres.
O London Mithraeum, também conhecido como Templo de Mitra de Walbrook, é um mithraeum romano que foi descoberto em Walbrook, uma rua na cidade de Londres, durante a construção de um prédio em 1954. Todo o local foi realocado para permitir a construção contínua e este templo do deus Mitra tornou-se, talvez, a descoberta romana mais famosa do século XX em Londres!

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