Guerras Púnicas e o Shekel de Cartago


As guerras púnicas foram travadas entre Cartago, poderosa potência marítima do Mediterrâneo, e a República Romana. As moedas antigas cunhadas na época, como o shekel cartaginês, traziam personagens e fatos importantes sobre essas histórias. Confira tudo no artigo abaixo!

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Descubra como foram as guerras púnicas e o que era o shekel de cartago.

Cartago

Cartago foi uma cidade-estado localizada no Norte da África, próxima da Tunísia. Supostamente fundada pela lendária rainha Dido por volta de 800 a.C., foi uma das maiores potências militares e comerciais da Antiguidade.

A civilização cartaginesa (ou púnica, como era chamada pelos romanos) descendia dos fenícios e vivia do comércio marítimo. Cartago dominava a região do Mar Mediterrâneo, o que foi uma das razões das guerras púnicas (264 a 146 a.C.), travadas contra a República Romana.

Guerras Púnicas – Antecedentes

Os fenícios eram grandes navegadores, que tinham como principal atividade econômica o comércio marítimo. Após a conquista da Fenícia, os fenícios fundaram Cartago, que passou a dominar o Mar Mediterrâneo e alguns territórios próximos da Península Itálica.

Shekel feito de eletro cunhado em Cartago, antes das guerras púnicas.
Shekel de eletro cunhado entre 310-290 a.C., antes do início das guerras púnicas. Traz no anverso o retrato da deusa Tanit. No reverso apresenta um cavalo, figura comum nas moedas cartaginesas.

Em contrapartida, Roma controlava a Península Itálica. Muitos cartagineses habitavam a ilha da Sicília, ao sul da Península Itálica, e estavam constantemente em luta contra as colônias gregas. Assim, os romanos interviram para conquistar também essa região.

Mas, a República Romana queria ir além. Mais tarde, o conflito também seria não só para ter o controle da Sicília, mas também para dominar o comércio de todo o Mediterrâneo ocidental!

Primeira Guerra Púnica (264 a 241 a.C.)

A primeira etapa das batalhas ocorreu em terra, no Norte da África e na Sicília. Depois, vieram os conflitos navais. Enquanto isso era uma nova forma de batalha para os romanos, os cartagineses eram especialistas nesse tipo de combate.

Ilustração de soldado de infantaria de Cartago.
Ilustração de um soldado cartaginês de infantaria pesada feito a partir de uma moeda de Siracusa cunhada durante o século IV a.C.

Então, com a ajuda dos gregos da região, os romanos copiaram os barcos púnicos e colocaram pontes nos barcos inimigos, possibilitando o combate corpo a corpo, especialidade dos romanos. Assim, Roma saiu vitoriosa, garantindo os territórios da Sardenha, Sicília e Córsega.

Segunda Guerra Púnica (218 a 201 a.C.)

A segunda guerra púnica é a mais conhecida dos três grandes conflitos entre essas cidades. É famosa pela travessia de Aníbal pelos alpes, que percorreu a Península Ibérica (conquistada pelo seu pai, o general Amílcar Barca) até a Península Itálica dando início a segunda guerra púnica.

Meio shekel de Cartago, cunhado durante a segunda guerra púnica.
Meio shekel de prata cunhado em 213-211 a.C., durante a Segunda Guerra Púnica. Traz Aníbal no anverso e um elefante no reverso.

Cartago venceu diversas batalhas iniciais, graças ao grande número de soldados e a estratégia de Aníbal, que consistia em usar elefantes como armas de guerra. Esse conflito se desenrolou praticamente todo em território romano. Até os romanos terem a ideia de atacar Cartago, obrigando Aníbal e seus soldados a retornarem para defender sua cidade!

Assim, a guerra tomou novos rumos e a derrota de Cartago veio na derradeira Batalha de Zama, em 202 a.C. O general romano, Cipião Africano, mesmo dispondo de menos soldados – enquanto Aníbal tinha um grande exército de soldados e elefantes – criou uma boa estratégia.

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Ele treinou seus soldados para assustarem e derrubarem os elefantes, que caíram em armadilhas ou recuaram para os soldados cartagineses, garantindo a vitória romana! O senado cartaginês assinou um acordo de paz e Cartago foi proibida de travar guerras com outros territórios sem a aprovação romana.

Denário romano homenageando Cipião Africano pela vitória nas guerras púnicas.
Denário de prata romano cunhado entre 112-111 a.C., cerca de 90 anos após a segunda guerra púnica. No anverso traz uma possível representação de Cipião Africano. No reverso traz os deuses Júpiter, Juno e Minerva.

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Terceira Guerra Púnica (149 a 146 a.C.)

Após as duas primeiras guerras, os cartagineses buscaram na agricultura sua fonte econômica. O fato de não se deixar abater pela perda da hegemonia marítima e por procurar novas atividades para se desenvolver economicamente, levou Roma a temer que a cidade voltasse a prosperar.

Dizem que a frase “Cartago deve ser destruída” se tornou o lema de Roma e era recitada pelo senador Catão, o Velho em seus discursos. Assim, Roma mandou seus novos aliados na África, os Numidas, atacarem Cartago.

Catão, o Velho, que dizia em todos os seus discursos que Cartago precisava ser destruída.
Catão, o senador romano a quem a célebre frase é atribuída.

Como Cartago estava proibida de guerrear sem a aprovação do Senado Romano, eles imploraram para poder se defender dos Numidas. E durante três anos o Senado Romano negou o pedido.

Os cartagineses se defenderam mesmo sem o consentimento romano, dando motivos para que Roma atacasse novamente a cidade. E dessa vez, os romanos foram implacáveis!

Shekel – A cunhagem cartaginesa

A cunhagem de moedas cartaginesas teve início relativamente tarde, na última década do século V a.C. Os gregos, por exemplo, já cunhavam moedas séculos antes.

Inicialmente, os púnicos adotaram o tetradracma grego como moeda. Depois, cunharam sua própria unidade de peso, denominada shekel. Essa moeda tinha cerca de 7,2 gramas em prata e 7,5 gramas em ouro. Foram desenvolvidos primeiramente na Sicília, em meados do século IV. Depois essas peças passaram a ser cunhadas em outras localidades, como na região da Sardenha e na própria Cartago.

Tetradracma de Cartago, que traz o deus Melqart no anverso. E o cavalo no reverso.
Tetradracma cartaginês que traz no anverso o deus Melqart (equivalente ao Hércules da mitologia greco-romana) com o chapéu de pele de leão. No reverso traz o cavalo. Datado de 300-289 a.C.

Cartago também cunhou moedas de meio shekel, 1 ²/³, duplo shekel e triplo shekel. Peças de 5 shekel foram emitidas na Sicília. As moedas púnicas podiam ser feitas de ouro, prata, eletro, bronze e tarugo.

Os desenhos mais comuns eram o deus Melqart no anverso, o cavalo no reverso e uma figura feminina identificada como a deusa Tanit. Durante a segunda guerra púnica, também foram emitidas peças com o retrato de Aníbal ou de seu pai Amílcar Barca e com a figura de um elefante.

Os shekel eram utilizados para o pagamento dos exércitos mercenários. Foram repetidamente degradados ao longo de cada uma das guerras púnicas, levando menos metais preciosos em sua composição.

Rara moeda de bronze de Cartago com a deusa Tanit no anverso.
Moeda de bronze rara, que traz a deusa Tanit no anverso. Cunhada entre 237-209 a.C.

Consequências das Guerras Púnicas para Cartago e para Roma

Após a derrota na terceira guerra púnica, Cartago foi completamente destruída e a população cartaginesa sobrevivente foi escravizada pelos romanos. Os romanos aniquilaram tão bem a cidade que até hoje os estudiosos não conhecem a exata localização de Cartago!

Inclusive, dizem que a raiva era tanta que os romanos jogaram sal por toda a cidade para que nada ali pudesse crescer. Mas, é provável que isso não passe de lenda, se levarmos em consideração o preço do sal naquela época.

Já os romanos, passaram a dominar o comércio marítimo do Mar Mediterrâneo. Isso aumentou o poder político romano na Europa e Norte da África, impulsionando novas conquistas territoriais para os romanos. E tudo isso possibilitou a formação do grande e poderoso Império Romano!

Mapa das Guerras púnicas.

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