Soldado Romano: como era a vida no maior exército da antiguidade?


O exército romano era a força militar mais temível e eficaz do mundo antigo. Um soldado romano se diferenciava de um soldado de outro lugar, pois era muito bem treinado, tinha as melhores armas e as melhores armaduras.

Em seu auge, Roma contou com cerca de meio milhão de soldados, exercendo o controle sobre um império em expansão e conquistando partes do mundo antigo, da Grã-Bretanha ao Oriente Médio! E a força por trás desse grande poder militar eram os soldados. Continue a leitura e descubra como era a vida de um soldado romano.

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Descubra aqui como era ser um soldado romano na antiguidade.

Quem podia se tornar um soldado romano?

Somente homens podiam estar no exército romano. Havia duas classes de soldado romano: legionários e auxiliares.

Os legionários eram os soldados de elite. Um legionário tinha que ter entre 17 e 23 anos e ser cidadão romano. Todo novo recruta tinha que estar em forma —qualquer um que fosse fraco ou muito baixo era rejeitado.

Um auxiliar era um soldado que não era cidadão romano. Ele recebia apenas um terço do salário de um legionário. Auxiliares guardavam fortes e fronteiras, mas também lutavam em batalhas, muitas vezes nas linhas de frente, onde era mais perigoso.

Legião e Centúria

Acredita-se que o exército romano continha cerca de meio milhão de soldados em seu auge. Esse grande número era composto por unidades menores, compostas por cerca de 4.000 a 6.000 soldados, chamadas legiões, cada uma comandada por um general.

As legiões tinham como insígnia a águia (aquila) romana. A águia raramente saía do acampamento (exceto se toda a legião se movimentasse). Durante as batalhas, era guardada por um suboficial legionário cuja missão era defender a insígnia a todo custo, mesmo que fosse necessário fazê-lo com sua própria vida. Isso porque era sinal de grande desgraça perder a águia, como ocorreu em 9 a.C. na Batalha da Floresta de Teutoburgo.

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Moeda romana do imperador Augusto que traz a águia legionária no reverso.
Denário de prata de 18 a.C. Traz a cabeça laureada do imperador Augusto no anverso. No reverso, mostra o Templo de Marte Ultor (Marte o Vingador), contendo a águia legionária.

Essas legiões eram então compostas por unidades ainda menores conhecidas como centúrias, que provavelmente consistiam em cerca de 80 homens cada. A centúria era comandada pelo centurião. Ele carregava uma vara curta (ou vara de videira) para mostrar seu poder. Ele também a usava para bater em qualquer soldado que o desobedecesse, comandando com violência.

Os soldados às vezes se amotinavam contra seus centuriões. Em 14 d.C., um centurião conhecido como Lucilius era chamado por seus homens como “traga-me outra”. Isso se referia à sua prática de quebrar sua vara nas costas de um soldado antes de exigir que lhe entregassem uma nova vara.

Mas os motins não eram inéditos. Nas mãos de disciplinadores cruéis, os soldados ocasionalmente se rebelavam contra seus superiores. Isso aconteceu entre as legiões do Reno em 14 d.C., quando os soldados atacaram seus centuriões e viraram suas varas de videira contra eles!

Centurião do exército romano retratado no reverso de dupôndio do imperador Adriano.
Dupondio do imperador Adriano de 138 d.C. Traz o imperador laureado no anverso. No reverso apresenta Adriano em pé, prefeito pretoriano atrás dele, dirigindo-se ao centurião, soldados atrás.

Uniforme e armas do soldado romano

Os legionários romanos normalmente usavam um loria, que consistia em placas de ferro que cobriam o peito e os ombros. Capacetes — em forma de tigela abobadada — protegiam a cabeça, pescoço e bochechas. Um avental de couro com tachas de metal presas ao cinto da espada protegia suas partes íntimas. Nos pés, usavam a cáliga, sandália militar da época.

As armas variavam dependendo do papel do legionário, mas os soldados de infantaria normalmente carregavam um escudo retangular de madeira (com painel central com uma saliência de bronze e borda do mesmo metal) e um pilum (dardo) com ponta de ferro, uma adaga e uma espada.

Tudo isso pesava cerca de 30 kg!

Desenho que mostra as roupas e armas de um soldado romano legionário.
Vestimenta e armas de um legionário romano. Os legionários eram os soldados de infantaria das legiões. Eles levavam uma vida de muito fardo e disciplina militar. Inclusive, antes do reinado de Sétimo Severo (193-211 d.C.) eles não tinham permissão para se casar (ou pelo menos para ter suas mulheres no acampamento com eles).

Alimentação

O alimento militar básico das legiões romanas era o trigo. No século IV, a maioria dos legionários comia tão bem quanto qualquer um em Roma! Eles eram supridos com rações de pão e legumes, com carnes — bovina, de carneiro ou de porco.

As rações militares também dependiam de onde as legiões estavam estacionadas ou em campanha. O carneiro era popular no norte da Gália e na Britânia, por exemplo, mas a carne de porco era a principal carne na alimentação das legiões.

Treinamento do soldado romano

Antes de serem enviados para as campanhas, os novos recrutas embarcavam em cerca de 4 meses de treinamento rigoroso. Este programa começava com marcha e progredia para o treinamento um a um no estilo dos gladiadores, treino de armamento e exercícios estratégicos, como exercícios de formação.

Quando o treinamento terminava, os soldados eram capazes de marchar 32 quilômetros por dia com armadura completa. Alguns novos recrutas assumiram nomes romanos, que eram vistos como um sinal de orgulho.

Os soldados romanos nem sempre estavam em guerra — eles passavam a maior parte do tempo treinando para a batalha. Os legionários também patrulhavam os territórios conquistados e construíam estradas, fortes e aquedutos (uma ponte que transportava água). Além disso, desempenhavam papéis administrativos como supervisão de construção de banhos romanos e arrecadação de impostos.

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Campanhas e batalhas

Modelo que representa um antigo acampamento romano.
Modelo de um acampamento romano temporário.

A vida em campanhas militares era, em todos os aspectos, um trabalho árduo. Esperava-se que os soldados embarcassem em uma iustum iter (marcha razoável) ou magnum iter (marcha mais pesada), o que significava caminhar cerca de 30 ou 40 quilômetros, respectivamente.

Após a marcha do dia, os soldados construíam um acampamento cercado por um muro — completo com uma vala e uma parede de estacas de madeira. Eles dormiam em tendas de couro com cerca de 8 companheiros. Na manhã seguinte, eles destruíam a parede do perímetro e repetiam o processo!

Um soldado romano era uma máquina de combate bem treinada. Ele podia nadar ou atravessar rios em barcos, construir pontes e abrir caminho em fortes. Assim, alguns soldados tinham habilidades especiais. Eles atiravam arcos e flechas, atiravam pedras com estilingues ou podiam nadar em rios para surpreender um inimigo. Não à toa, quem adormecia em serviço, podia ser condenado à morte.

Durante as batalhas, os soldados romanos usavam uma formação de “tartaruga” para se defender contra projéteis inimigos. Portadores de estandarte levavam cada legião para a batalha, exibindo o estandarte da unidade. Normalmente, quando a linha de frente se aproximava a 30 metros das linhas inimigas, os soldados arremessavam seus pilos e atacavam. Uma linha de retaguarda fazia chover projéteis como lanças, flechas e pedras sobre o inimigo.

Encenação de formação tartaruga dos antigos soldados romanos.
Homens jordanianos vestidos como soldados romanos reencenam uma formação de tartaruga, 2009.

Os soldados romanos geralmente se alinhavam para a batalha em uma formação apertada. Após uma terrível explosão de flechas e artilharia, os soldados romanos marchavam em um ritmo lento e constante em direção ao inimigo. No último minuto, eles arremessavam seus dardos e desembainhavam suas espadas, antes de atacar. Em seguida, a cavalaria perseguia qualquer um que tentasse fugir.

O exército romano era muito avançado para seu tempo. Foi por causa dessa força motriz que Roma se tornou uma potência tão poderosa! Quando os romanos invadiram a Grã-Bretanha, por exemplo, seu exército era tão bom que enfrentou exércitos 10 vezes maiores e venceu!

Quanto ganhava um soldado romano?

Os soldados romanos eram pagos com base em sua classificação e classe. Embora seja difícil converter denários em moeda moderna, é útil refletir a hierarquia de pagamento no exército romano.

No século II d.C., novos recrutas legionários recebiam o viático, que normalmente era de 3 peças de ouro ou 75 denários.

Um papiro romano do século II sugere que soldados de infantaria auxiliares recebiam cerca de 100 denários por ano, enquanto seus equivalentes legionários recebiam cerca de 300! O imperador Sétimo Severo (193-211 d.C.) aumentou essa quantia para 500 denários por ano.

Subindo na hierarquia, os centuriões recebiam pelo menos 1.000 denários, com o primus pilus (centurião sênior) recebendo mais de 15.000 por ano!

Sestércio do imperador Didio Juliano que mostra a águia símbolo do soldado romano.
Sestércio de Dídio Juliano de 193 d.C. Anverso: imperador laureado. Reverso: deusa Concórdia Militum em pé, águia legionária na mão direita, S.C. (senatus consultum).

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Aposentadoria

Legionários se inscreviam para pelo menos 25 anos de serviço. Se sobrevivessem ao tempo, eram recompensados com uma quantia de 3.000 denários e/ou um pedaço de terra fértil ao fim de seus serviços. Velhos soldados muitas vezes se aposentavam juntos em cidades militares, chamadas “colônia”.

O soldado auxiliar recebia a cidadania romana.

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4 comentários em “Soldado Romano: como era a vida no maior exército da antiguidade?”


  1. Flavio Góes disse:

    Tudo sobre a Roma antiga me chama atenção! Esse tema sobre os soldados foi fantástico, pois sempre quis saber a diferença entre um centurião, legionários, enfim…saber da vida deles. Muito interessante!


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